Sobre mudanças e lembranças

A pessoa cria um blog, transforma em site, publica uma fanpage no Facebook e… some! Primeiramente quero dizer que não escrever com a frequência que eu gostaria faz formar uma baita bola de neve na minha cabeça, que diariamente acumula experiências e pensamentos pra compartilhar. Portanto, com certeza alguma coisa vai acabar escapando nesta atualização! :/

Mas vamos lá! A grande novidade dos últimos meses (!) foi com certeza nossa mudança para uma casa própria (própria no sentido particular da coisa, não de posse, já que é alugada, rs). E é desnecessário dizer a diferença que faz termos um espaço só nosso, ainda mais no caso de uma família recém-formada, que tem o grande desafio de criar um filho. O João Pedro – hoje com 10 meses – tem agora o ambiente que precisa para se desenvolver dentro do que nós, pais, entendemos como o melhor pra ele. E nós, por outro lado, temos a tranquilidade de saber que isso vai acontecer sem qualquer tipo de interferência, já que uma das grandes dificuldades que vínhamos enfrentando era justamente a falta de privacidade para inserirmos na criação dele, os valores da nossa própria bagagem.

Assim, há alguns meses nos dividimos divertimos nas tarefas de um dia a dia que suuuuuga nossa alma e ainda assim faz a gente deitar na cama a noite imaginando como sobreviveu sem essa loucura toda até hoje!
Ser mãe, esposa, dona de casa, cozinheira, faxineira, passadeira, enfermeira e, além de tudo, trabalhar fora, vou te falar: é f-o-d-a! Mas experimenta encostar a mão na minha louça pra você ver, rs. Faço tudo que tenho que fazer com o maior orgulho da vidaaaa! E não é nem uma questão de querer abraçar o mundo, mas uma sensação de superpoder que você adquire com a maternidade e que te faz ir além, que te faz ignorar, por exemplo, a dor na coluna depois de um dia difícil, no momento em que aquela pessoinha de 9kg está nos seus braços, só pra ficar com ela mais alguns minutinhos, antes de tirar o sapato e preparar o jantar. Ou prorrogar a vaidade da chapinha e da sobrancelha por mais um dia, pra conseguir passar a pilha de roupa que tá lá acumulada no balde! Não, não somos Amélias. E eu mesma tenho a ajuda do meu marido, mas ainda assim não vejo problema em incorporar no meu dia, todas as atividades dessa responsabilidade diária que é manter uma casa. Obviamente quem vê de fora não entende, já ouvi que estou me sobrecarregando, que vou ter um treco a qualquer momento, que mães que tem esse ritmo alucinado são inconsequentes, loucas! Mas pera… Qual é mesmo o nome desse site? 😛

A verdade é que, apesar de ser uma dificuldade deliciosa, precisa ter fôlego mesmo! Principalmente quando, em meio a tantas tarefas, existe uma criaturinha que aprendeu que, se abaixar e arrastar um joelhinho atrás do outro, pode ganhar o mundo! Sim, chegamos na fase de engatinhar. Na verdade estamos quase passando dela, com muitas subidas em móveis e tentativas de ficar sozinho em pé. E aí haja condicionamento físico e maturidade emocional pra lidar com os tombos!

No primeiro, confesso que chorei mais do que ele. No segundo, o coração apertou, mas ainda assim consegui consolá-lo. No terceiro, comecei o famoso discurso do “Não foi nada, filho!”. E de lá pra cá, minha amiga, quando acontece, dou só uma espiadinha de leve pra ver se ele já levantou sozinho. E vida que segue! Bobagem nossa tentar prever todos os tombos que o filho vai encontrar pela frente. E a gente sabe: essa “frente” é infinita!

Dia desses, quando o nascimento dos dentinhos começou a causar reações no João Pedro, eu fiquei viajando sobre as tantas coisas da natureza humana que ainda vão florescer naquele pedacinho de gente. E ao invés de me sentir impotente diante do que não vou conseguir controlar, senti um alívio por saber que tantas situações são colocadas na nossa vida desde muito cedo, pra que a gente inicie esse processo de evolução maravilhoso que leva a gente da estagnação completa ao movimento total.

Lembrei de quando minha mãe me colocava dentro do ônibus com um “passe” na mão e me mandava pro segundo ano da escola com nada mais além de uma valiosa recomendação: “Vai com Deus, filha!”. Fico imaginando o quanto devia ser foda pra ela ter de segurar a dor da preocupação, de uma situação financeira fudida que a forçava colocar uma filha sozinha dentro de um transporte coletivo às 7h da manhã, esperando em Deus que ela fizesse bem o trajeto que a maioria das amiguinhas fazia tranquilamente nos confortáveis carros dos pais ou motoristas, que, inclusive, as acompanhavam até a entrada da escola. E sim, doía em mim também, claro que doía! Que criança não se questiona diante de uma realidade social tão desnivelada?

Apesar disso, terminei o ensino fundamental, o médio, a faculdade e, até hoje, passei por todos os meus empregos utilizando o mesmo meio de transporte que desde os 9 anos de idade aprendi a usar! Uma das tantas experiências e transições das quais tirei valiosas lições de vida e convivência. E sabe qual é a diferença do aprendizado na vida de alguém que pega busão com o suvaco dos outros na cara todos os dias e de outra que cresceu sentando-se confortavelmente em bancos de couro e ar-condicionado? Nenhuma. Porque cada um tem na sua história, seus próprios roteiros e passagens!

E no meio de tantos caminhos que a gente traça, no final, o que faz a diferença mesmo é ter por perto alguém que, mesmo atarefada, está espiando de rabo de olho se você levantou de uma queda, que mesmo sem condições de te acompanhar até a escola, está na frente do portão de casa te esperando com o sorriso de um coração aliviado.

Que é permanente, em meio a um constante mundo de mudanças!

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s