#SomosTodasMães

É curioso como nossa percepção de tempo muda com a chegada da maternidade. O João Pedro vai completar 7 meses na semana que vem, e uau… 7 meses! Como passou rápido! Quando você se imagina mãe, naturalmente pensa em todas as responsabilidades que vai adquirir nessa nova função e se prepara para o começo de uma looonga carreira. Mas a realidade do dia a dia é bem mais impremeditável do que nossa vã consciência pode imaginar. Ultimamente, por exemplo, não consigo determinar quando um dia começa e termina. A sensação é de um ciclo incessante, onde as horas são temporariamente substituídas por atividades. Traduzindo de maneira prática, eu diria que se você me perguntasse as horas nesse momento, ao invés de 18h40, eu responderia: “Hora do JP tomar banho”, rs. E é nessa recorrência entre a hora do tetê, a hora do suco, a hora da sopinha, a hora da fruta, a hora da soneca, entre tantas outras, que o fuso horário funciona na cabeça de toda mãe de primeira viagem!

O mais interessante de tudo é que, mesmo com todo esse expediente maluco, particularmente acho que ainda não criaram um trabalho mais bem remunerado do que esse! Sentir o cheirinho do seu filho depois de ficar ensopada ao dar banho nele; vê-lo se surpreender ao degustar cada alimento da papinha que você cortou, lavou e cozinhou com tanto carinho; ou presenciar o sono tranquilo de quem sorriu feliz pra você o dia inteiro, acredite, é clichê, mas é mesmo o melhor retorno que alguém pode experimentar na vida! Um tipo de cansaço físico e mental que, contraditoriamente, te enche de energia e amor. 🙂

Maaaaaaaaas… Obviamente, como sempre digo aqui, nem tudo permanece num cenário mágico, onde você caminha radiante e orgulhosa pelas descobertas que surgem, porque infelizmente existe um problema que assola o planeta desde quando os dinossauros foram extintos. Chama-se: s-e-r-h-u-m-a-n-o!

Eu queria saber quem é o Cristo que permite aos outros se acharem no direito de apontar o que é melhor pra um filho do que a própria mãe! Ok, a pessoa tem mais idade, já passou por essa situação, trabalhou, cuidou da casa a vida inteira e tem 497 filhos criados (todos bem educados, fortes e cheios de saúde, a propósito). E eu respeito isso, de verdade! Mas aí começa:

“Meus filhos mamaram no peito até 3 anos e 8 meses, por que você tá dando mamadeira?”
“Na sopa que eu fazia, colocava até pedra, esses legumes aí é tudo frescura do pediatra!”
“Lavar a cabeça da criança assim a noite faz mal. Depois que ficar doente quero ver!”
“Para de jogar o bebê pro alto! Você não sabe que isso vira o bucho?”
“Olha lá ele dormindo de barriga pra cima de novo, vai sufocar! Tem que pôr de lado!”
“Um dia sem fazer cocô? Os meus eram assim, eu colocava supositório!”

E continua:

“Por que ele tá sem meia? Por que ele tá de meia? Você tá cutucando muito o nariz dele! Nossa, que nariz sujo, você não limpa não? Ele tá soluçando de frio, agasalha o menino! A nuca dele tá molhadinha de suor, pra que encapotar tanto a criança? Tá com a mão na boca, é o dente que já tá nascendo! Não tem nenhum dente ainda, será que ele tem algum problema? Ele resmunga muito, certeza que vai falar antes de andar! Nossa, como ele mexe, certeza que ele vai andar antes de falar! Essa fralda tá apertada! O xixi tá vazando porque você deixa a fralda muito frouxa! Ele espirrou, tá gripado? Estranho, ele nunca teve gripe? Por que ele tá chorando? É fome? É dor? É sono?”

É. UM. CACETE!

Acostume-se. Toda criatura que se aproxima de você nesse momento, vem com um palpite diferente pra dar. E pode até parecer que são conselhos baseados nas experiências que tiveram, mas eu arrisco dizer que isso é um disfarce, porque na hora de avaliar os outros, não existe nada que fale mais alto do que o próprio ego, meus caros… Tem uma frase da Martha Medeiros que diz: “Longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa”. E ela não poderia estar mais coberta de razão, já que o individualismo se mostra capaz de tirar até mesmo o bom senso de uma pessoa.

Eu Bruna, sou branca, de olhos e cabelos claros, sendo que 80% da minha família (por parte de pai e mãe) são assim. Meu marido, Thiago, é moreno, de olhos e cabelos escuros, sendo que 99% da família dele (por parte de pai e mãe) são assim. Dessa mistura brasileira maravilhosa nasceu nosso filho: branco, de olhos e cabelos claros, igual a mim. Comparando com as fotos de quando eu era bebê, a semelhança fica ainda mais indiscutível. Mas e se fosse o contrário e ele tivesse puxado o pai? Bom, a diferença seria que eu, muito sortuda, conviveria pro resto da vida com a mesma fisionomia das duas pessoas que mais amo nesse mundo!

Na verdade, entre eu e o Thiago nunca houve uma discussão sobre esse tema, porque sempre consideramos normal e levamos numa boa todos os comentários de que o bebê “é a cara da mãe”. Maaaaaaaaaaas sempre tem aquela meia dúzia que não aceita o que está diante dos olhos e cria uma realidade paralela pra viver. Já tive de ouvir, sem brincadeira, que meu filho tem a cor da pele do avô, a cor do cabelo da bisavó e a cor do olho do tatatatatatatatatatatatatatatatatatatataravô (aquele 1% dos 99% ali de cima).

É uma competição patética! Cada um pode ter a opinião que quiser, ninguém é obrigado a concordar com todo mundo. Mas uma coisa é expressar sua opinião, outra é martelar essa ideia incansavelmente pra mostrar que a sua verdade é absoluta. E isso sim, acaba virando um tema em discussão, porque a partir do momento em que a porra do ego começa a dominar um argumento, a coisa toda deixa de ter graça, como disse a Martha Medeiros naquela frase! Seria tão mais bonito e feliz compartilhar da herança genética saudável das duas famílias do que disputar que lado vai levar o troféu de clone do ano! Eu espero enxergar o João Pedro sempre quando olhar para o João Pedro! Ver que ele se parece cada vez mais com a melhor versão dele, independente da cor da pele, do cabelo ou do olho. E fim! 🙂

Mas tirando esse tempero salgado que insiste em cair no momento mais doce das nossas vidas, tudo vira aprendizado! E eu fiquei muito feliz de saber que não estou sozinha no mundo quando vi a campanha que o site bebe.com.br lançou este mês: #SomosTodasMães em incentivo à uma maternidade com menos julgamentos e mais compreensão. Uma iniciativa louvável pra mostrar que, por trás de uma mãe dedicada, que cuida e se esforça diariamente para acertar, existe uma mulher frágil, que tem medos, anseios e precisa ser acolhida. É triste vivenciar esse tipo de discriminação quando sabemos que estamos todos no mesmo barco, amando incondicionalmente e querendo o bem de uma pessoinha que merece crescer sabendo o que significa união e respeito ao próximo!
Espero que essa campanha abra mentes e espaço para que, nos próximos textos, possamos compartilhar mais da maturidade que a maternidade traz e da felicidade  de crescer presenciando o crescimento, em toda sua extensão.

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Um comentário em “#SomosTodasMães

  1. Bruna,
    To adorando ler seus comentários… Gostaria q falasse algo sobre a vida do casal após a maternidade, afinal, a frase q mais ouço é q tudo muda, inclusive esfria um pouco do relacionamento, pois tem homem q não entende o cansaço e a indisposição da mulher… Tem uns até q tem ciúmes do bebê (!)
    É só uma sugestão ta?
    Bjo

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