Amamentação e os desafios dos primeiros dias

Minha puberdade começou cedo. Quando eu tinha 11 anos, já experimentava sutiãs e seios que cresciam cada vez mais. Nessa idade, você não quer saber se o desenvolvimento está certo ou não, você só sente que tem algo de muito estranho acontecendo com seu corpo e que, de alguma forma, te deixa estranha também! Pra mim, essa relação bizarra com seios grandes se estendeu ainda por muitos anos. Eu não conseguia me acostumar! Nem quando atingi a maturidade, época em que supostamente a gente passa a valorizar o corpo, essa sensação incomum foi embora. Tentei cirurgia de redução pelos convênios que tive, mas nenhum deles aprovava, justificando o motivo como estética. Só que pagar por estética quando você ganha pouco não é lá muito viável, e assim, essa necessidade, que sempre foi prorrogada, sumiu de vez da minha lista de desejos…. Até eu engravidar!

Uma das coisas que mais me preocupava era se teria algum problema em relação a amamentação. Com 5 meses de gravidez, eu já tinha pulado o sutiã do 42 pro 48 e sempre questionava o obstetra se tinha que fazer algo pra preparar o seio quando chegasse a hora de amamentar. Nunca fiz nada, pq essa foi a recomendação dele. Achava estranho pq minhas irmãs faziam todo tipo de coisa pra ajudar a “endurecer” os mamilos. Mas, segui assim, sem questioná-lo. Hoje eu percebo que deveria tê-lo feito!

Imediatamente após o João nascer, ele mamou no meu peito, comigo ainda deitada na cama da maternidade. Nessa posição, não senti nenhuma dor (até porque tinha acabado de fazer um parto normal, ou seja, todas as pragas do Egito poderiam cair sobre mim que eu sairia ilesa), mas depois, no quarto, quando traziam ele pra mamar de 3 em 3 horas, comecei a sentir um leve incômodo. Uma das enfermeiras olhou meu seio e disse que seria melhor tentar a posição invertida e usar um bico de silicone para não ferir o mamilo, pois naquela altura já estava começando a ficar fissurado. O bico de silicone ajudou um pouco, mas literalmente apenas um pouco! O João foi incrível durante esse tempo! Abria a boquinha com toda a perfeição e sugava certinho. Mas infelizmente sugava muito mais ar em vez de leite, pq o bico do meu seio realmente não tinha o formato ideal pra amamentação acontecer corretamente. Usei conchas, protetores, pomadas e os cortes só ficavam cada vez maiores. Na maioria das mamadas, meu filho sugava leite, ar e sangue ao mesmo tempo e isso me fazia derrubar em dobro, as lágrimas que já caiam de dor!

Dor: essa é a definição das minhas primeiras semanas com um recém-nascido. No meu caso, além do limite que poderia aguentar! Minhas últimas semanas de gestação foram resumidas a todo tipo de dor: dor das contrações, dor nas pernas, dor nas costas, dor nos pés, dor no corpo pelas noites mal dormidas… E em seguida, a dor do parto, que acredito ter deixado bem clara no post anterior, rs. Por tudo isso, na minha cabeça, eu já havia sentido dor o suficiente e assim as primeiras semanas após o nascimento do João seriam mais tranquilas! Mas ao contrário, as dores só mudaram de nome. Agora eram: dor nos pontos, dor na barriga, dor nos seios, dor no bico dos seios… Junte tudo isso à todas as outras transformações que ocorrem nos primeiros dias e o resultado é um outro tipo de dor, que deixa de ser só física e passa a ser a pior de todas: a dor emocional.

Todos os dias envolviam novidades. Ter uma pessoa que depende 100% de você é uma responsabilidade que, por mais que você se prepare pra ter, nunca vai estar realmente preparada. E no meu caso, uma frustração, por não conseguir alimentar direito a pessoa que só dependia de mim pra ser alimentada. Nesse momento, eu não pensava muito nas alternativas e focava apenas no fato de insistir exclusivamente na amamentação, por mais dolorosa e difícil que fosse, até ele crescer e largar espontaneamente o peito. Só que esse foi justamente o problema: na primeira consulta com o pediatra, o João Pedro, ao inves de ganhar peso, havia perdido. E foi aí que tivemos o primeiro contato com a fórmula. Compramos uma lata de leite preparado na expectativa dele ajudar como complemento ao leite materno e já nos primeiros dias, os resultados chegaram! João Pedro engordou, cresceu e recebeu o primeiro parabéns do médico. Um alívio sem medida tomou conta de mim. A única coisa que permanecia sem solução era minha capacidade de amamentar. Nesse sentido, a situação só piorava: o bico do meu seio estava, literalmente, todo mastigado e eu começava a chorar antes mesmo do João sentir fome. Tanto e de forma tão profunda, que sinceramente, beirei a depressão. E essa foi a dor que mais me marcou!

É impressionante a capacidade do ser humano em julgar as pessoas, mesmo no momento mais delicado de suas vidas. Carregar o peso de ser incapaz de alimentar meu próprio filho parecia não ser o bastante para algumas pessoas. Diariamente (e eu quero mesmo dizer TODOS OS DIAS), eu tinha de ouvir da boca de gente que não teve o MÍNIMO de respeito, que eu estava sendo fraca e deveria aguentar a dor, nem que pra isso eu precisasse perder, literalmente, o bico do meu seio. Um julgamento cretino, de mulheres que batiam no peito pra dizer que “na época delas” amamentar também era dolorido, mas mesmo assim criaram todos os filhos. A pior convivência que tive de aguentar na minha vida. A pior lembrança que certamente vou carregar pra vida inteira.

Independente de ser proposital ou não, esse tipo de sentença que as pessoas se julgam prontas pra deliberar é suja, baixa e cruel. E apesar de ter mexido MUITO com a minha cabeça, consegui juntar forças pra me convencer de que eu não tinha de ser a mãe que elas foram. Eu não tinha de fazer o que elas fizeram. Porque o meu corpo não era igual ao delas. O meu momento não era o mesmo que elas viveram. E a minha forma de criar meu filho seria o que EU julgasse melhor pra ele, não elas! Assim, de cabeça fria e com a ajuda do meu namorado, fomos atrás de uma solução que, no meu caso, foi, durante meses, usar a maquininha de ordenha e intercalar, através de mamadeira, a fórmula e o leite materno.

Hoje, meu filho, com 4 meses e meio, tem dobrinhas de gordura de fazer inveja a qualquer Sharpei! É forte, saudável, feliz, nunca teve uma alergia, um resfriado, uma assadura que seja! Mama fórmula, chá, água e a cada dia fica maior, mais lindo e mais esperto.

Não quero dizer aqui que o aleitamento materno não é fundamental para o desenvolvimento ideal de um bebê. Quero apenas dizer que num planeta com 7 bilhões de pessoas, pasmem: NENHUMA é igual a outra, e cada mulher tem suas particularidades, suas capacitações e seus limites. E ninguém tem o direito de apontar qual deles a definem como mãe!

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e os dois, diariamente, engatinham pelos mesmos aprendizados. Por mais conselhos que existam, não existe fórmula para ser a melhor mãe do mundo. Existe o seu jeito, em ser a melhor mãe do mundo para o SEU filho!

 

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4 comentários em “Amamentação e os desafios dos primeiros dias

  1. Lindo post, Bru!

    Não estou nem perto (acredito eu) de ter filhos, mas na minha opinião, não poder amamentar seu baby não te faz menos mãe. Mesmo que você não quisesse amamentar, pelo motivo que seja, isso é uma escolha totalmente sua. E sim, sempre vai ter aquela pessoa que vai julgar e achar que você precisa fazer diferente, mas a unica pessoa capaz de julgar o que é bom pra você e pro seu filho, é você mesma!

    Já prevejo encheção de saco quando eu ficar gravida por ser vegetariana. Serei uma péssima mãe por não dar carne pro meu filho rsrsrs

    Beijos, e por favor, continue com esses textos lindos de morrer ❤

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    1. Gatinha… Demorei pra responder por pura falta de tempo, rs. Mas desde que comentou sobre esse tema, eu fiquei muito feliz, pq vc com certeza entende o que significa ter pessoas julgando suas opções e modo de levar a vida! Queria discordar e dizer que quando chegar a sua vez, o fato de vc ser vegetariana vai passar batido pelas pessoas, mas a verdade é que a partir do momento que vc revela estar grávida, imediatamente surgem as críticas, palpites, conselhos, especulações… E é um saco estar no melhor momento da vida, querendo passar seus valores e gostos pro ser que vc gerou e ter de presenciar tantas intromissões! Mas faz parte, nega, infelizmente! E o que posso te dizer é que se quiser desabafar, conte com sua amiga aqui pra te entender! rs. Obrigada pela visita e vou continuar escrevendo simmmm! Isso aqui pra mim é uma terapia, rs. 🙂

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  2. Bu quero lhe parabenizar pelo blog … na verdade nem sabia que o tinha…! Enfim primeiramente quero deixar bem claro que não sou contra o aleitamento materno , como você bem sabe tenho um filho de 15 anos e eu optei por não amamenta-lo via peito , sempre usei formula , motivo ? sinceramente! váriooooos . Em um trecho do seu comentário você foi muito feliz em dizer que seu corpo não é como os das outras seu momento não é como o das outras e essa é a chave da resposta …. Somos todas diferentes. O que quero dizer é que não minha concepção não existe certo ou errado nesse caso o que existe são apenas limitações que cada um sabe do seu cada um. Hoje meu filho é um adolescente lindo com muita saúde …. No meu caso o aleitamento materno fez a diferença ? A minha resposta é NÃO .

    Beijos até a próxima

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    1. É verdade minha linda! Fico muito feliz de ver que nem todos pensam da mesma maneira… As opções que fazemos quando nos tornamos mães ganham um peso maior, mas exatamente por isso cabe a cada uma de nós decidir como tomá-las. O problema é que as pessoas tem esse hábito ridículo de ficar cuidando da vida alheia ao invés de curtir o momento. Imagina, vc acaba de entrar pro mundo da maternidade, está experimentando o maior amor do mundo e tem que ficar ouvindo crítica sobre como se comportar no melhor momento da sua vida! É difícil… Mas ainda bem que temos os amigos pra compartilhar do que é verdadeiro! Obrigada! 🙂

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